Eu, homem de Neandertal me confesso. Por vezes não me oriento sem livro de instruções. Para os meus pares será sinal de fraqueza, da busca do caminho mais fácil, mas para mim é a assunção de um verdadeiro empenho em que construção fique perfeita.
Preciso apenas de um único livro de instruções. Aquele que fala de ti. Em tudo o resto basta-me ser homem e fazer o que sempre fazemos. Abrir a caixa, tirar as peças, atirar para o lado o caderno de papel com as diretivas e começar a montar. Já no final olharei num misto de orgulho e vergonha para a construção e automaticamente me ocorrerá um boa desculpa para o empeno não suposto da obra. Mas contigo não quero ter orgulho nem vergonha, quero apenas nenhum esforço regatear para que saia perfeito.
Se o livro não vier junto, sim porque há livros que por muito desejada que a sua mensagem seja simplesmente não existem, negarei pela segunda vez a minha Neandertal essência desmontando e voltando a montar mil vezes até raiar a perfeição. Negarei o orgulho e a preguiça e essa nega transformar-se-á no meu indestrutível pilar, minha plena assunção como homem que sabe o que realmente quer.

Bela declaração !
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