Quando o nosso clube joga e não nos apetece ver e muito menos apoiar. Lá fora faz calor e está um mar de gente em busca de divertimento e não nos apetece sair de casa e muito menos divertirmo-nos. Urge em nós a necessidade de tomar decisões, delinear novas estratégias, mudar o rumo das coisas, mas o nosso cérebro não responde a nenhum estímulo, limitando-se a garantir alguns serviços mínimos.
Sentimos que nestes períodos o nosso ser decretou greve e alguns dos órgãos nem os serviços mínimos garantem. A mobilização é geral e o período do protesto indeterminado. Dentro de nós encetam-se intermináveis negociações mas a paralisação continua e não se lhe vislumbra fim. Obrigamo-nos a cedências outrora imagináveis, levamos os magros recursos, que não aderiram á greve, à exaustão, mas nada mais conseguimos garantir que uma existência sobrevivente.
Em períodos como este percebemos que a nossa empresa estava assente em areia, nenhuma norma, nenhum procedimento se demonstra capaz de fazer face ao problema. A astúcia necessária à concepção e estruturação da empresa revela fragilidades enormes. Sentimos que fizemos tudo atrapalhado a coberto de uma qualquer, esburacada, peneira que, como é sua função, deixou passar os raios de sol que tudo minaram, e só nós, empreendedores, não quisemos vê-los.
De todas as crises importa tirar ilações que no futuro nos tornem imunes a erros semelhantes. Mas não me perguntem qual é a ilação de daqui devo beber senão, hoje, sinto-me tentado a rebaixar-me e assumir que só me socorri da peneira porque tinha muita sede e, como tal, qualquer coisa me serviu para tapar o sol que rapidamente secava a água que eu há tanto tempo queria beber.
Não me perguntem nada mais, que eu hoje estou em serviços mínimos e do que digo pouco sei, do que sinto nada mais direi, pois não posso garantir que, a mim mesmo, não mentirei.
gostei da personagem Calimero... serão rascunhos para um romance?
ResponderEliminarEm tempo: o Ricardo Ramos manda lembranças.
Abraços e coragem, companheiro.
Pois eu estou a ficar farto do Calimero...
ResponderEliminarMas por enquanto parece que terei de continuar a conviver com ela.
Fica bem.
Distraido