quinta-feira, junho 16

Nonsense

“…E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...”

O verso acima é retirado de uma musica dos Xutos & Pontapés, talvez da autoria do Tim. Não há nenhuma razão, em especial, para o ter colocado no inicio deste texto, ou melhor talvez haja, preciso de escrever mas não sei o que dizer… a escrita tem sempre um carácter autobiográfico, não é novidade nenhuma. E portanto, talvez a razão da inclusão do verso seja tão somente espelhar o vazio de quem escreve.

Mas se não temos nada para dizer, nem nos pagam para escrever nem tão pouco nos obrigam a escrever porque insistimos em escrever. O resultado do escrito só pode ser um monte do que vulgarmente se chama “palha”. E palha é algo que só interessa aos burros, porque a comem.

Assim sendo, continuamos na senda do “nonsense”, não tendo nada a dizer continuamos a escrever. Será o desejo de um regresso á infância e aos diários que todos nós um dia tivemos ou quisemos ter? Pode bem ser a explicação de todo este “nonsense”, ou então podemos sempre ir pela parte da critica destrutiva e dizer : “…o que tu tens é tempo a mais!!! Também não é uma má explicação.
Efectivamente se estamos a escrever algo sem que tenhamos nada de relevante para dizer e ainda por cima o admitimos sem pejo é porque não temos, mesmo, nada mais para fazer. Esqueci-me de outro pormenor interessante, começamos o escrito com parte de um poema roubado de uma letra de música.

Salvaria a face se pelo menos tentasse dissecar o sentido do poema, mas vontade de rir não tenho, vontade de ir tenho, mas não sei para onde e a vida nesta altura parece apenas confusa. Sempre a perder é demasiado forte e derrotista. Não sei se me revejo nisto! Sempre a perder sonhos? Não deixa de ser uma evidência para grande parte de nós, mas para outros o sonho comanda a vida... Eu coloco-me no grupo dos que não têm opinião, e não é por fuga, é mesmo por uma questão de honestidade intelectual.

O “nonsense” foi um tipo de humor criado pelos Monty Pythons, envolvido em surrealismo, tinha sempre inerente uma critica social mordaz e directa bem ao estilo British. E, portanto, é por aqui que vou tentar dar algum sentido a este texto “laranja seca Espanhola”. Quando estamos perdidos ou desorientados damos por nós a fazer coisas por fazer, são os chamados períodos de vida para encher chouriço. O que se faz nestas alturas? Boa pergunta, se eu soubesse não estaria aqui a encher chouriços.

Salva-se nestas linhas o tom depreciativo com que agracio a laranja de Espanha, mesmo a encher chouriços temos sempre de tentar defender o que é nosso.

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