quinta-feira, junho 23

SOZINHO EM COMPANHIA

“O amor é fodido” escreveu uma vez o grande MEC. Eu hei-de sempre acreditar nisso pois onde quer que haja amor ele acabará irremediavelmente por ser fodido.

Não é fatalidade escrever este primeiro paragrafo nem tão pouco me transforma num profeta da desgraça; é apenas um verter para texto da realidade que me rodeia. Com amiúde me dizem “…estou acompanhado mas sinto-me tão sozinho…”, ou o batido “… sinto que falta qualquer coisa…”. Mas o “…sinto que já não há chama…” bate todas as fodas que fazemos ao amor, aos pontos.

Todos os que proferem tamanhos impropérios não percebem que simplesmente um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. E dado que está fora de nós temos de o cativar tal e qual como a rosa pedia ao principezinho que lhe fizesse.

Cativar o outro é pedra filosofal para que o eco do amor nos chegue. Ninguém ama platónicamente, amamos para ser amados! Senão, amar-nos a nós próprios seria suficiente e fácil. Cativar é foder criativamente, empenhar a nossa pele para que a pele do outro possa ser arrepiada. Cativar é combater a rotina, buscando a superação do conhecimento sobre o outro. É pensar por vezes mais no outro que em nós mesmos e outras vezes pensar em nós mesmos para que o outro nos aprecie e nos sinta de menos. Uma flor roubada, a camisa e gravata que matinalmente nos escolhem são álcool e gasolina que alimentam a chama se lançados com amiúde e desprendimento sobre o outro.

Não sou tonto a ponto de defender os 99% de transpiração e o 1% de inspiração, mas sou racional porque sei que para manter uma chama é preciso providenciar combustível. Sou desinspirado ao ponto de afirmar que se o amor fosse um puzzle teríamos de comprar uma lima para limar algumas peças de forma a que encaixem na perfeição.

Termino como comecei, afirmando convictamente que onde quer que haja amor ele acabará por ser irremediavelmente fodido simplesmente porque acreditamos que ele não é ser vivo e como tal não precisa de alimento. Por isso quando se lembrarem de me vir novamente chatear com o “… estou acompanhado mas sinto-me só…” passem antes, os dois, por uma bomba de gasolina!!

2 comentários:

  1. é isso mesmo: o amor não é andar fodido e mal acompanhado.

    (será por isso que as bombas estão sempre lotadas?) :-)

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  2. Anónimo13:52

    Caríssimo Calimero,
    no meu entender O AMOR é tão VASTO como um oceano, ele é : incentivo, suor, incerteza, dor, choque, treino, poder de encaixe, imaginação, exaustão, é ter sinapses, é química e física, são duas partes que estão sempre do mesmo lado da equipa. Não são rivais. Não têm que provar que são o melhor aqui ou ali. ....poderia estar aqui a descrever horas a fio.
    AMAR é ser 2 em 1!!
    AMAR é ser simplesmente BRILHANTE!!!
    E como dizem os brasileiros, " o pulo do gato" está em encontrar essa pessoa neste mundo imenso!!

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