O ideal não existe… ou melhor, existe, mas corre muito depressa, quando pensamos estar a alcança-lo já está uns metros mais á frente.
A energia do ideal advêm das nossas expectativas, sempre em mudança e em crescendo. Cada vez que crescem ou mudam impulsionam o ideal para mais uma passada em frente, lançando-nos numa espécie de maratona interminável. Fabulando, as expectativas são a cenoura que colocamos, pendurada numa cana, em frente aos nossos asininos olhos.
Bem sei que o sonho comanda a vida, a ambição é carburante da evolução e o ideal ponto cardeal. Mas se nos focarmos só na cenoura, passaremos pela vida a correr e cairemos extenuados de frustração.
Não advogo a desistência do ideal, até porque se tivesse o poder de o extinguir deixaria os políticos sem quimera para prometer. Defendo que encaremos o ideal como um elemento balizador do nosso caminho, conscientes que mais importante que cortar a meta é caminhar na direcção certa.
Viver é preciso, navegar também o é, por isso, relativizemos o ideal e não nos limitemos a existir. Se esperar-mos pelo momento ideal para fazer, se não admitirmos outra que não a situação ideal, então não estaremos a viver, quanto muito, existiremos num colete de forças.
Viver implica arriscar-se. E o maior risco é errar. Mas viver também implica estar certo. E a maior certeza é a de que, a cada erro, mais se pode aprender.
Ideal é nunca desistirmos dos nossos ideais, sem deixar que sejam um fim em si mesmos, mas um inicio em direcção a.
Pra Madrinha. E vão dois.
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