quinta-feira, novembro 17

PALAVRAS, LEVA-AS O VENTO.


As palavras são vãs, não se bastam por si. Quando aplicadas num livro carecem da folha para se perpetuarem, a folha necessita do aconchego da capa que enforma o livro e a mantém no lugar onde faz sentido. O livro carece de aquisição, de ser folheado, amassado, dobrado e acarinhado. Na música necessitam da melodia para transmitir o sentimento e a melodia, por sua vez, não existe sem o movimento ritmado do dedilhar de uma guitarra.

A escrita e a musica são os dois principais veículos da palavra e aqueles onde a perenidade e a substancia encontram terreno mais fértil para se implantarem e ganharem sentido. Mas mesmo nestes dois férteis veículos a palavra só por si é vazia. Quando escrita carece do manuseamento do livro para transmitir a sua substancia. Quando musicada não dispensa o ritmo e este só acontece fruto da coordenação do movimento do musico. O denominador comum á substancia da palavra é a acção, traduzida no folhear do livro ou nos movimentos que alimentam os instrumentos musicais.

A palavra sem acção é vazia. Esgota-se num emaranhado de orações, temperadas pela eloquência da metaforização, que mais não constroem que uma simples bola de sabão. É, sem dúvida, lindo observar as cores que o banho de sol traz à bola de sabão embalada nos braços do vento, mas também não é menos efémero. Dura uns escassos segundos, rebenta e depois não sobra nada a não ser um salpico de humidade. Assim é a palavra; Bonita e efémera! Palavras leva-as o vento diz o povo com propriedade.

Acreditamos no eloquente discurso de um político desconhecido ou nas frases curtas e monocórdicas do Cavaco Silva? Retirando toda a carga politica da analise atrevo-me a responder por todos vós.
– No Cavaco Silva claro! Pois ele faz, age, escolhe, prioriza e sobretudo já recorreu, certamente, vezes sem conta, ao sacrifício para credibilizar as suas mal amanhadas palavras.

Vale mais uma acção que mil palavras! É sem dúvida uma frase feita. Socorro-me dela para basear o meu pensar e permito-me acrescentar-lhe algo, fazendo dela, hoje, o meu pequeno grito.
Valem mais uma acção, um esforço e uma pequena gota de suor que um bilião de palavras.

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