Aplico a velha máxima de Francis Bacon "...Não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar..."
sábado, novembro 19
AFINAL O SR CARLOS MARTINS ESTA É A AJUDAR-NOS A TODOS E É FACIL AJUDAR.
Muitas hipócritas reacções tenho ouvido e lido relativamente ao apelo lançado pelo jogador de futebol Carlos Martins, figura pública, para encontrar um dador de medula óssea que permita curar a aplasia medular que acomete o seu filho. A grande maioria dos comentários hipócritas alinham pelo diapasão de que apenas se está a fazer tanto alarde da questão porque a criança é filha de uma figura pública que se socorreu dos media para lançar o apelo aos possíveis dadores. Sejamos francos, qualquer pai recorreria a tudo o que pudesse para salvar um filho. Este pai pode recorrer aos media e fá-lo sem pudor pois a sua cria corre risco de vida. Ninguém ouse critica-lo porque se o fizer não estará a ser verdadeiro e incorrerá em hipocrisia grave.
Segundo notícias de hoje, fruto da campanha mediática e das redes sociais, o número de dadores de medula óssea aumentou cerca de dez vezes. Só por este dado concluímos que o Sr. Carlos Martins está a ajudar também cada um de nós. Nunca sabemos se amanhã não nos toca a nós semelhante adversidade. Quanto maior for o banco de dadores maiores serão as nossas hipóteses.
É precisamente sobre a questão da dimensão do banco de dadores que me quero debruçar. Pelo que li, e assumindo-me como leigo que sou nesta matéria, basta uma colheita de sangue e o preenchimento de um formulário de 4 paginas para que se possa determinar o nosso tipo de medula e para que entremos no banco de dadores. Não duvido que somos um país de gente solidária com uma enorme capacidade de mobilização em torno de uma causa. Não é menos verdade que poucas vezes fazemos uso dessa capacidade de mobilização. Somos o país da Via Verde, dos multibancos em cada esquina, da rede europeia de multibanco que mais funcionalidades oferece ao utilizador, enfim, amamos e prezamos tudo o que nos facilite a vida. O nosso povo tem tanto de boas intenções e de solidário como de preguiçoso.
Pegando no exemplo da Via Verde e dos multibancos sugiro que façamos o mesmo relativamente á constituição de um banco de dadores de medula óssea. Ou seja que facilitemos a vida às pessoas. Todos nós pelo menos uma vez por ano fazemos análises clínicas e nos sujeitamos aos exames da medicina do trabalho. A minha sugestão é que quando formos fazer essas análises nos seja colocado o tal questionário à frente e nos seja proposto ser dadores. Perderemos mais dez minutos a preencher o questionário e provavelmente tirar-nos-ão um pouco mais de sangue. Sacrifício pequeno face ao benefício. Atrevo-me a alvitrar que 80% das pessoas aceitaria perder esses dez minutos e entraria para o banco de dadores.
Estou consciente que a implementação de um programa destes acarretaria um avultado investimento estatal. Mas a este possível óbice replico; autorizemos também o nosso governo a comercializar a medula óssea com outros países. Desde que o dador nada receba pela dádiva e o receptor nada tenha que pagar pela medula estou-me marimbando que o nosso governo comercialize a minha medula óssea se os proveitos dessa comercialização servirem para pagar os custos da implementação e manutenção do banco de dadores.
Adivinho já os inúmeros argumentos, críticas e dúvidas éticas que os defensores de regras bacocas mascaradas de ética terão na ponta da língua para provar que a minha sugestão não tem pés nem cabeça. Replico uma vez mais com simplicidade. Perante uma doença grave quantos desses não recorreram já a uma clínica privada, nacional ou estrangeira, que tenha desenvolvido um método de abordagem à doença mais eficaz? E quantos milhares de euros pagaram por isso? Alguém alguma vez pós em causa que se essa clínica tem um método mais eficaz de combate a uma doença não devia cobrar verdadeiras fortunas pelo tratamento? Devendo, pelo contrário, entregar o método gratuitamente ao estado para que este esteja acessível a todos. Não, claro que não! Porque compreendemos o valor da propriedade intelectual e das patentes e sobretudo porque quando nos vemos aflitos recorremos a todos os meios sem questionar nada. Nada mais que isto está a fazer a família do Sr. Carlos Martins.
Facilitem-nos a vida que nós não regatearemos na generosidade e solidariedade tão marcadamente inscritas no ADN português.
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Caro escritor,
ResponderEliminarConheço bem de perto o banco de dadores de medula óssea. Quando nos inscrevemos como dadores de medula óssea podemos ajudar uma pessoa em qualquer canto do mundo. O dador não paga nada em todo o processo. As despesas que eventualmente possa ter com deslocações e estadias são todas suportadas pelo registo. É de salientar que temos o 2º maior registo da Europa (em primeiro está a Alemanha) e a nível mundial somos o 4º maior registo:-D
E poroque não ser-mos o primeiro maior registo a nivel mundial? Afinal a solideriedade não se mede por km2 nem por numero de habitantes.
ResponderEliminarO escritor :-D