Aplico a velha máxima de Francis Bacon "...Não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar..."
domingo, novembro 27
QUEM PRECISA DE GUARDA CHUVA ?…
"Viver não é esperar a tempestade passar... é aprender como dançar na chuva". Embora não seja uma frase minha concordo completamente com ela. Porque é proibido chorar sem aprender, levantar-se um dia sem saber o que fazer, não lutar pelo que se quer. Viver é também ser humilde para usar palavras de outros como se nossas fossem, assumindo o plágio sem pejo e sobretudo aprendendo com o ponto de vista do outro.
Viver é aceitar cair, esfolar os joelhos, esmurrar o queixo, é acariciar uma cara com um suave beijo furtivo, é aceitar um curativo, é assumir que depois de andar à chuva virá uma constipação. Assumir e aceita-lo naturalmente para não nos impedir de na chuvada seguinte voltarmos a sentir o beijo fresco das gotas de água na face. Viver é não saber andar com guarda-chuva, é não sacrificar o prazer do girar o guarda-chuva a uma camisola seca. Viver não é prudência nem cautela, é aceitar que os nossos actos têm uma consequência e não deixar de os praticar por isso. É proibido abandonar tudo por medo.
É proibido não rir dos problemas, contornar a poça de água e resistir a saltar lá para dento de “chapão” para nos molharmos e a quem nos acompanha. É proibido desviar o carro de um lençol de água se nos der prazer sentir a água bater no pára-brisas e afastar-se em dois arcos. É proibido ter acidentes e colocar a vida de outros em risco. É proibido não demonstrar amor, deixar os amigos, chamá-los somente quando se necessita deles. É proibido não seres tu mesmo diante das pessoas, fingir que elas não te importam, esquecer aqueles que gostam de ti, ter medo da vida e de seus compromissos.
Não há almoços grátis! Pois, a vida apesar de ser uma dádiva não deve também ser entendida como grátis. Se alguém ou Algo nos presenteia com algo tão precioso é mais que justo que, no mínimo, exija que o desfrutemos por inteiro, vivendo cada dia como se fosse um último suspiro. Portanto não há vidas grátis!
Aceita a cobrança naturalmente, abandona a expressão “mais vale quebrar que torcer”, tão cara aos da minha terra, mas que eu não aceito como válida. Tentem pegar um toiro, indo para a reunião com o toiro de corpo rijo e hirto e depois contem-me o que aconteceu. Para domar o bicho é preciso ser flexível para encaixar o primeiro embate, ser resiliente e tenaz para fechar-se na cara do toiro, após se ter furtado à córnea e amortecido o choque da investida, e ter a humildade de compreender que cabe “aos ajudas” a tarefa de imobilizar o touro para que a pega se considere realizada. Afinal viver não é mais que uma sucessão de pegas de toiros.
É por demais evidente neste texto a minha apetência por chuva e por rebeldia. Já opinei sobre o que é viver permito-me agora alvitrar sobre o que é amar. Sabemos que amamos e quem amamos quando, naturalmente, nos apercebemos, um dia, que deixamos de gostar do inverno e da chuva. Passando a consultar diariamente o boletim meteorológico e a ansiar pelo sol, pela primavera e pelo verão. A nada disso fomos obrigados, simplesmente constatamos essa mudança natural em nós.
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