domingo, julho 29

PORTUGAL POR UM CANUDO

Gosto de analisar polémicas quando elas já deixaram de o ser. Ou seja quando já arrefeceram, já deixou de haver piadas no café, perdão no facebook, e os jornalistas saciaram a sua sede de sangue. Não o faço por tique pretensioso ou assomo de vedetismo, faço-o apenas porque é despois da poeira assentar que melhor se podem ver as alterações na morfologia do solo que a tempestade provocou. O Sr. Ministro Miguel Relvas errou na forma e no conteúdo. Na forma porque enveredou pelo facilitismo e pela rapidez revelando ingenuidade pouco consentânea com a tarimba de mais de 12 anos de vida pública. Sr. Ministro até para aldrabar é preciso ser coerente. Se precisava de um canudo para se sentir seguro deveria, pelo menos, ter-se dado ao trabalho de se matricular dois ou três anitos e ter ido fazer mais uns exames. Seria um embuste mais bem conseguido. É certo que com a experiencia de deputado, de dirigente partidário, de secretário de estado, dos nove cargos ocupados na delegação da Nato e por ai adiante, pouco ou nada teria a aprender numa licenciatura de ciência politica e relações internacionais. Atrevo-me até a considera-lo como um excelente candidato a docente do referido curso. Ora bem, se uma personalidade marcadamente estratega como a do Ministro Miguel Relvas comete um erro de palmatória deste calibre temos de tentar perceber que ansia levou este senhor a procurar um canudo a todo o custo. É aqui que entra o erro no conteúdo. O senhor Miguel Relvas não teve “tintins” para assumir um cargo ministral sem o canudo da praxe. Provavelmente não teve ele nem teria quem o escolheu para o cargo; apesar da longa relação de fiel escudeiro do primeiro para com o segundo. Caro leitor seja honesto e admita o escândalo que seria ter um ministro sem licenciatura. Num país onde o título aparece no cartão de crédito e nos cheques credibilizando inigualavelmente o seu portador. A pessoa a quem pagamos fica bastante mais descansada se receber um cheque com Dr. e se pagarmos com cartão o empregado sorrir-nos-á com subserviência acrescida se o Dr. constar no quadradinho de plástico. Há muito tempo que a licenciatura deixou de ser sinónimo de formação, de conhecimento e muito menos de formação superior. Na minha opinião uma pessoa bem formada escreve sem erros, sabe o ano em que ocorreu a revolução de Abril, sabe quem escreveu os Maias, qual a capital dos EUA, e por ai adiante. Convido-o a pesquisar no Google com o tag “ignorância dos estudantes universitários” e compreenderá rapidamente o meu ponto de vista. Portanto se a licenciatura não é sinonimo de conhecimento será apenas um adereço como uma qualquer peça de roupa que serve para parecermos bonitos e para nos sentirmos menos inseguros. Srs jornalistas, perdão vampiros desesperados por sangue, abordem os assuntos de forma séria, vejam para além do fumo que vocês mesmo criam. Informem-nos de forma séria, honesta e inteligente. Sr. Miguel Relvas por favor demita-se, não por ter aldrabado nesta questão do curso, mas por não ter coragem de se reconhecer capacidades sem o banal canudo. Demita-se porque a sua atitude transmitiu a todos os que não são licenciados que por mais íntegros e competentes que sejam nunca poderão aspirar a dirigir os destinos de uma nação por demasia necessitada de integridade e valor. Leitores, quando criticarem o ministro Miguel Relvas, quando inventarem piadas sobre a sua licenciatura lembrem-se que mais não estão a fazer que a rir da Vossa própria mesquinhes. O que não é forçosamente mau, rir de nós próprios e dos nossos defeitos é mentalmente saudável. Rir de si próprio reconhecendo os defeitos e procurando melhorá-los para além de ser sinal de saúde mental é também revelador de inteligência.

2 comentários:

  1. Anónimo10:14

    Pessoas como tu...é que precisamos!
    Sou tua fã...
    Sónia Gameiro...remember?

    ResponderEliminar
  2. Ola sonita. tás boa.
    é fixe saber de ti. e os teus catraios que tal? O Pedro já chegou ao SLB ou ainda tá a caminho.
    Um jito grande e fico lisonjeado que gostes do que escrevo.

    OR

    ResponderEliminar