sábado, julho 21

A CULPA É SEMPRE DO QUE TRAI MAS O TRAÍDO NUNCA É INOCENTE


Só escrever este título já é susceptível de me meter numa carga de trabalhos. Por isso apresso-me a retirar o carácter auto-bibliográfico a estas linhas. Parece-me também que me estou a meter “numa camisa de onze varas”. Pois preparo-me para atacar a força da vitimização, contrapondo uma ingénua co-responsabilização. Sem dúvida que o acto de trair é essencialmente covardia, fuga e facilitismo. Indesculpável na medida em que se configura como desestruturação da personalidade. A opção por “dois pássaros na mão” é de muito curto prazo revelando insegurança, medo de si próprio e falta de inteligência. Para segurar uma pomba são preciso duas mãos. É impossível segurar dois pássaros numa mão sem os apertar demais, atirando-os para a morte. Por outro lado ser fiel por convenção não revela muito mais brilhantismo. Seria fácil justificar a não inocência do traído pelo chavão: “…só se procura fora aquilo que não se tem em casa…”. Embora não seja adepto de chavões não os exorcizo, pois reconheço-lhe a substancia da sabedoria popular. Aventurando-me por caminhos desconhecidos recuso o determinismo do chavão e coloco a tónica no “umbiguismo” e no facilitismo. O “umbiguismo” tolda-nos tal como o faz a focalização excessiva. Por vezes para encontrar a solução do problema o melhor caminho é mandar “tudo às urtigas”, distanciar-se, focalizando outra actividade. Nesse processo somos quase sempre contemplados com um prisma diferente e mais simples do problema inicial, ferramenta essencial para a sua resolução. Nas relações, embora não as querendo comparar a problemas, aplica-se a mesma regra. Por vezes estamos tão embrenhados nelas que esquecemos o básico; Dar! Se a relação estiver bem talhada por cada sorriso receberemos dois, por cada carinho uma noite inteira de colo, por cada prenda uma imensidão de beijinhos. É precisamente no “dar” que se revela a incapacidade dos “umbiguistas”. Para estes a tónica está no “receber”. O facilitismo embala-nos num leito de preguiça, desleixo e certezas alicerçadas em solo muito atreito à erosão do tempo. Uma “aliança” não pesa assim tanto que nos impeça de levantar a mão para um carinho. O conforto do lar não é sinónimo de pijamas foleiros, pantufas e fugas ao ginásio. O mundo está em constante mudança e o passado é apenas recordação. Quem tem uma relação feliz e “salta a cerca” é pulha e mau carácter, ao passo que quem tem apenas uma relação e trai não passa de ser humano, covarde e medroso.

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