A importância que uma coisa ou uma pessoa têm na nossa vida, mede-se pelo valor que atribuímos à coisa, momentaneamente, apeada do seu lugar pela nova. Nada nem ninguém ocupa o lugar de outro indefinidamente. À entropia causada por uma pedra segue-se sempre a calmaria das águas do lago. À confusão gerada pelo nascimento segue-se a harmonia da família alargada.
Aprendi o acima dito agora mesmo. Diante da tela branca, remexendo os dedos calcinados de ferrugem e incapazes de traduzir o vazio de ideias que me povoa o cérebro. Não serei severo com ele pois limitou-se a cumprir o desígnio do «se paras, enferrujas», e ainda inventou uma esfarrapada desculpa para a paragem. Bela de tão esfarrapada que era. Na verdade pouco me importa a astenia cerebral de hoje pois provoquei-a e estou feliz com isso. Agrada-me também observar a reorganização das peças. Afinal cabem todas.
Abdicar nunca é eterno. O pica-pau advogado do abdicado trabalhará sem cessar relembrando-nos a cada bicada do deixado para trás. Tanto bicará que se tornará insuportável a sua presença e, em busca de sossego, acederemos voltar atrás e recuperar a essência temporariamente abdicada. Mais uma boa noticia que me deixa feliz. É portanto impossível abdicar de algo para sempre. Auto-regulação da natureza provavelmente. Gosto mesmo de pica-paus workaholics , sossegam-me o espírito. A quem o mesmo não suceder recomendo realismo. «Podes fugir mas não te podes esconder». Soa melhor em inglês mas não deixarei aos brasileiros a defesa da minha língua.
Realmente estou enferrujado mas estou feliz com isso. Ousei desviar a atenção, dar o flanco e «bandeira». Não sei o resultado mas sei que foi corajoso.
Aplico a velha máxima de Francis Bacon "...Não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar..."
quarta-feira, junho 27
ABDICAR NUNCA É ETERNO
A importância que uma coisa ou uma pessoa têm na nossa vida, mede-se pelo valor que atribuímos à coisa, momentaneamente, apeada do seu lugar pela nova. Nada nem ninguém ocupa o lugar de outro indefinidamente. À entropia causada por uma pedra segue-se sempre a calmaria das águas do lago. À confusão gerada pelo nascimento segue-se a harmonia da família alargada.
Aprendi o acima dito agora mesmo. Diante da tela branca, remexendo os dedos calcinados de ferrugem e incapazes de traduzir o vazio de ideias que me povoa o cérebro. Não serei severo com ele pois limitou-se a cumprir o desígnio do «se paras, enferrujas», e ainda inventou uma esfarrapada desculpa para a paragem. Bela de tão esfarrapada que era. Na verdade pouco me importa a astenia cerebral de hoje pois provoquei-a e estou feliz com isso. Agrada-me também observar a reorganização das peças. Afinal cabem todas.
Abdicar nunca é eterno. O pica-pau advogado do abdicado trabalhará sem cessar relembrando-nos a cada bicada do deixado para trás. Tanto bicará que se tornará insuportável a sua presença e, em busca de sossego, acederemos voltar atrás e recuperar a essência temporariamente abdicada. Mais uma boa noticia que me deixa feliz. É portanto impossível abdicar de algo para sempre. Auto-regulação da natureza provavelmente. Gosto mesmo de pica-paus workaholics , sossegam-me o espírito. A quem o mesmo não suceder recomendo realismo. «Podes fugir mas não te podes esconder». Soa melhor em inglês mas não deixarei aos brasileiros a defesa da minha língua.
Realmente estou enferrujado mas estou feliz com isso. Ousei desviar a atenção, dar o flanco e «bandeira». Não sei o resultado mas sei que foi corajoso.
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