quarta-feira, agosto 15

Oh RÁQUEL!!! Oh RÁQUEL!!!!

Grau de alcoolémia ligeiramente acima do permitido para escrever (venero mas não me guio por Hemingway), mas também é Agosto e chove quase a cântaros. Se o clima transgride porque não o ei-de fazer eu? Antes da chuva fui à festa. Morna estava a cerveja, gélido o ambiente e sem temperatura o convívio. Algo me deve escapar porque efetivamente já não encontro sal, pimenta neste convívio. Fui com certeza ultrapassado pelo tempo e para além de info-excluído sou também “ermita-excluído”. Antigamente doze meses de eremitagem davam direito a pelo menos dois dias de convívio deliciosamente exagerado. Antigamente! Politicamente a coisa resume-se a: - Então que tal? Tas fixe? - Eh pá demasiado trabalho. - Não te queixes! Pelo menos tens trabalho! Pena que os Monty-Pyton já não produzam. Senão este seria um diálogo digno deles. Puro “non-sense”. Radiografia perfeita do sentir da sociedade de hoje. A valorização que fazemos da nossa mão-de-obra atingiu mínimos históricos na bolsa da dignidade. O “…não te queixes! Pelo menos tens trabalho…” é muito mais que uma frase de ocasião. É o assumir que já aceitamos a perda do direito à recompensa pelo nosso suor, o direito a ambicionar algo mais, a capacidade de dizer não quando a tarefa pedida se revela hercúlea. Esta frase representa um nível de acomodação confrangedor, uma cedência indigna. Murchou-nos a postura. A água com que nos alimentam levou todo o sal e pimenta da nossa alma. Quebrantados na alegria, abdicamos do divertimento e transformamos estes dois dias de festa numa refeição sem sabor que todos servimos e comemos por frete. Já perdeu sentido o tardio, ou madrugador, depende da perspectiva horária berro pela Raquel pois; - Já não há vontade. - Já não há discoteca. - A Raquel já não vem cá e nós deixamos de ter capacidade para a imaginar. Enfim, se não tivesse tanto pejo em usar chavões atreveria-me a afirmar que estamos velhos. Seria a desculpa perfeita para os sem saborzões em que nos tornamos. A mim resta-me a memória e a vontade de ir berrar pela Raquel, mas será que sozinho faz sentido?

5 comentários:

  1. faz todo, imenso, sentido. :-)

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  2. Anónimo21:41

    e foste mesmo.... ouvi o grito de Izeda em Lisboa!
    diz...

    ass: raquel!

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    1. Lol... Se fores a Raquel que eu penso, espero que ja não subsista o mal entendido do Nuno :)

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  3. Anónimo22:32

    Gostei. Um abraço, Ladeira.

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  4. Anónimo23:55

    Excelente exposição de ideias cruzadas e entrelaçadas nos teus pensamentos... Gostei!... :) ***

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