terça-feira, julho 5

ASSUMIDO COM ORGULHO E VALENTIA

Adaptamo-nos para sobreviver. Mas nós somos humanos, pessoas, queremos mais que sobreviver. Queremos amor, queremos vencer, queremos acarinhar o pouco que temos, regando-o, decorando-o com empenho, para que possa crescer tornar-se no reflexo e na extensão de nós. Para que seja o nosso orgulho, a fonte e o resultado da nossa paixão.

Queremos que quando tudo parece estar perdido, e ela já esteja na porta de embarque seja acometida de uma epifania e compreenda que é a nós que quer. Voltando atrás, correndo e rompendo caminho pelo meio da fila e nós estejamos ainda na sala de embarque, cabisbaixos e vencidos, mas, num último assomo de esperança olhemos de soslaio e abramos os braços para a abraçar, deixando-a encaixar-se em nós, num movimento simbiótico.

Queremos aquela sorte que, no limiar do desmoronamento, nos faz passar dos zero aos cem num nanossegundo e nos toma, transmitindo um sentimento de certeza inabalável, tão duradoura quanto os anos que temos para desfrutar.

Queremos a vida por inteiro, aceitando as concessões com serenidade e encantamento, olhar para trás sem ter medo do arrependimento que nos mostrará a beleza do caminho que à nossa frente se abre e nos curará da miopia, transformando o negro em arco-íris e o arco-íris numa confiança perene e reconfortante.

Queremos que a serenidade vença o nervoso miudinho, que as incertezas sejam oportunidades e que por cada porta fechada mil janelas se abram, não por excepção, mas porque assim é a regra que o cego acreditar esculpiu no cerne do nosso âmago.

Queremos que em cada encruzilhada estejas lá tu com a candeia que nos há-de alumiar o caminho, que por muito nosso que seja, nessa altura de decisão a ti confiamos, porque sabemos que estarás sempre lá para nos alentar nas subidas, nos amparar nas ravinas e nos guiar por entre os pedregulhos.

Desfrutar o máximo de todas as coisas que Ele nos sete dias criou, sem que a crença importe, mas apenas o respeitoso aproveitamento daquilo que, tal como o sol, nasceu para todos sem limite de uso.

Escrevo estas palavras na sala de embarque, cabisbaixo e vencido, mas com a firme certeza que hei-de intuir o momento de levantar o olhar e terei a força necessária para meus braços abrir.

4 comentários:

  1. Anónimo07:22

    A vida é feita de pequenas vitórias e decepções que todas somadas compoem a nossa vida. A beleza disto é que por muito estranho que pareça somos os ultimos responsáveis pelo resultado desta soma.

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  2. força, muita força, nisso, então.:-)

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  3. Bertolucci Kasparov01:53

    Já Oscar Wilde dizia: "To live is the rarest thing in the world. Most people exist, that is all."

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  4. Anónimo01:30

    Oscar Wilde era um sabia meu amigo.
    Um sabio

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