sábado, julho 9

FULO DA VIDA

Fodasse, mil caralhos ma rafodam, carralho, fodasse. Diz-se isto na minha terra quando estamos mesmo fodidos, fulos da vida, derrotados numa batalha. Não é bonito nem bem-educado, nem, tão pouco, merece que alguém admire. Estou consciente.

Este blog, apesar de anónimo, é conhecido por três ou quatro Amigos, (com A grande, note-se). Amigos esses para os quais sei bem, era dispensável esta lamúria. Lamúria esta, que eu tenho a escolha de não publicar, estou consciente disso. Este blog é um despejar de estados de espírito, assumo-o completamente.

Umas vezes mais inspirado, outras apenas para borrifar a tela vazia com o negrume que me enche a alma. Nesta segunda hipótese não se vislumbra qualquer interesse ou paixão, mas eu assumo também o pouco interessante e não o apagarei. Será um erro de palmatória? Talvez, mas assumido! Nunca negarei o meu exagero, o meu borrão.

Não escrevo este texto por firme convicção, mas porque o N, me diz, constantemente, que valemos pelo que somos e tudo o resto não passa de fumo. A ideia é nobre mas, confesso, não me convence perante a evidência. Mesmo assim, assumo segui-la hoje, não no melhor sentido mas num borrão desnecessário, mas fiel.

Há batalhas que perdemos e nem sempre as assumimos com o bom perder desejado. É este o caso. Assumo que perdi duas ou três. Continuo a achar que o Darth Vader não devia vencer o Skywalker, mas venceu-o. Não que eu seja um nem outro, seria demasiado imodesta a comparação. Mais realista será metaforizar-me num Totó. Não o do Cinema Paraíso, que me continua a cativar, mas um totó a sério, daqueles da “informática para totós” por exemplo.

Sinto-me totó e assumo-o, não o lamento nem lamurio, assumo-o apenas. Sou bom para os outros, não para mim. Ganho dinheiro para outros, mas não o consigo ganhar para mim. Dei, mas recebi nada em troca. A nada disto fui obrigado, nem tão pouco sou santo, mas o assumir-me assim, traduz-se em batalhas perdidas. Não as vou enumerar porque seria chato e exaustivo, mas também não as vou negar, a nenhuma delas, porque sou um assumido totó.

Não sou vítima, sou um ser de esperteza vaga. Assumo-o. Não aceito a rendição porque não tenho coragem de hastear a bandeira branca. É preciso coragem para escolher caminhos fáceis. Além disso, não considero que perdi a guerra porque caio e não fico prostrado, levanto-me a custo e lentamente porque a frialdade do chão me queima o espírito e o ardor impele-me a erguida. É inato em mim. Não vou lutar contra isso.
Assumo o copo meio vazio que este texto transpira. Assumo que gastei tinta e tela para nada produzir. Mas estando fodido da vida, não quis esconder a minha fragilidade. A razão, não a sei expressar, mas sei que não perdi guerra nenhuma e que viverei a lutar para que assim continue.

2 comentários:

  1. Anónimo20:15

    É preciso ainda mais coragem para escolher caminhos difíceis!
    É preciso ainda mais coragem para encher o copo!

    Mas às vezes, não é preciso coragem nenhuma...
    Basta contemplar o copo a encher com a água da chuva!

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  2. Anónimo00:47

    Deve ser a coisa mais interessante que ouvi nos ultimos tempos.
    Sejas la quem fores, parabens

    Distraido

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