terça-feira, agosto 2

O MISTÉRIO VERMELHO

O MISTÉRIO VERMELHO

Nos últimos tempos tenho sido assolado por uma dúvida que se quer assumir, quase, como existencial, tal a persistência de que se adorna. Se é verdade que não há dúvidas estúpidas não é menos verdade que algumas são supérfluas e revelam a parvoíce que atinge a generalidade das mentes masculinas. A minha dúvida é pequena como uma gota mas é também persistente como as gotas que se vão esborrachando contra a pedra dura, escavando nela pequenos buracos. Daí o carácter existencialista que lhe começo a atribuir.

O que é que o vermelho tem a ver com o verão? Sim eu sei que em vez de estar para aqui a questionar-me com tamanha parvoíce devia ir fazer algo de útil. Mas simplesmente não estou capaz de tão inquietado que ando. Para todo o rabo de saia que olhe vejo vermelho, e são muitos nesta altura do ano, parece até que algumas mulheres estiveram a hibernar, qual ursas, durante os outros 8 meses e agora saíram da toca. Figura de urso estou eu a fazer com esta sofrida metáfora. A minha vida sexual começará a percorrer as ruas da amargura se me continuo a armar aos cágados com esta coisa do urso. Embora urso seja fofinho por isso inventaram os ursos de peluche. E assim sendo, seguindo os ensinamentos de La Palice, as mulheres são fofinhas. Talvez me safe com esta!

Bem, mas voltando à vaca fria. Só me enterro, primeiro ursos agora vacas, estou a requisitar reforma antecipada para o “zezinho” e nem me dou conta. Atalhando! Porque será que todas as mulheres pintam as unhas de vermelho no verão? Será alguma promoção das marcas de vernizes que querem despachar o stock de vermelho? Será para evitarem serem pisadas? Verdade seja dita que aquelas sandálias são giras mas devem pouco à protecção do pé. Terá alguma coisa a ver com semáforos? Eu explico, o vermelho dos semáforos manda parar. As mulheres como andam, nesta altura, mais descobertas podem ter adoptado o verniz vermelho para parar qualquer veleidade de um fulano mais atrevidote. Numa perspectiva de raciocínio dedutivo o que afirmo faz sentido, mas não estou tão certo que o faça na perspectiva feminina. “Zezinho”! Dá-me ideias que vais entrar de férias. Se assim continuo é certo e sabido. Estou tentado a equacionar a hipótese de uma remota ligação entre o vermelho das unhas e “aquela altura do mês”, pode ser que seja um grande complô das mulheres e “essa altura” em vez de ser do mês seja do ano. Era tipo uma semana de férias por mês para as mulheres. Ai a nossa vida “zezinho”! Aqui a tua homologa de cima está a meter-te num sarilho dos diabos com tão farta diarreia mental. Pá! Ou me desdigo ou as tuas férias prolongadas são inevitáveis! Olha, que se lixe, depois desta trabalheira toda a teclar não apago.

Visto está que vou continuar com esta gota a pingar-me na testa. As minhas teorias devem pouco à solidez. Talvez fosse boa ideia perguntar a uma mulher. Mas que lhe diria?
- Olá, sabias que o arco-íris tem sete cores?

Podia ser uma abordagem com sucesso. Não é directa, é intrigante e inusitada. Mas talvez tenha um cariz algo mentecapto. É melhor estar caladinho.

Espera! Genial! Descobri! Afinal o PCP tem muitos mais militantes que votantes e as militantes estão a fazer uma espécie de estágio para a Festa do Avante. Como pude ser tão cego? É claro como a água. Afinal as sobrancelhas do Cunhal sempre tinham charme. O homem deixou uma verdadeira legião de admiradoras.

É caso para dizer que o homem levou literalmente a sua avante, e por várias vezes…

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