domingo, setembro 11

AQUELES DIAS.

Sabem aqueles dias em quem nenhum sitio é bom o suficiente? Aqueles dias em que pouco importa se o tempo é frio ou calor, se chove ou se faz sol? Em que nenhuma amante é boa o suficiente, nenhuma música é alta o bastante, nenhuma poesia é ácida ou adocicada quanto devia? Aqueles dias em que nenhum filme pornográfico excita, nenhuma mulher nos dá tesão? Sabem aqueles dias em nenhuma coisa imperativa ou que pode ser feita, consegue ser? O desejo de chorar parado nos olhos, o desejo enorme de gargalhar também encarcerado no peito? Uma sensação de dor que não dói, de tesão que não chega, de dor de barriga sem cocó?

Algumas pessoas chamam a isto depressão, outras de patetice e outras ainda, mais sábias, de solidão! Aqueles dias em todos os ossos do corpo, e não apenas ossos, mas todos os órgãos também, parecem ter sido partidos, quebrados, esmagados.

Sabem aqueles dias em que um banho não limpa, uma toalha não enxuga e uma roupa incomoda? Em que a toda nudez é castigada e toda mudez ensurdece? Dias longos demais e curtos de menos. Pensar dói, agir incomoda e é um sacrifício extremo. Sabem aqueles dias em que a vida parece sem sentido mas a morte também? Dias e dias sem noites no meio, sem noites e sem luar. Dias sem luar, noites sem sol... Dias de loucura ou de extrema lucidez? Qual é a loucura por trás da extrema lucidez? Qual é a lucidez por trás da extrema loucura?

A cama tem espinhos, a cadeira faz doer o rabo e andar cansa demais. Um desejo de estar mais só, quando se está sozinho, um desejo de estar ao lado de um monte de gente, mas não aguentar a companhia de ninguém. Beber não basta, não sacia... Entorpece mas não sacia. Comer não importa.... Mata a fome mas não alimenta.

Mas nesses dias, em que tudo acontece e nada acontece, a coragem também não acontece. A dor é tão profunda que a não a alcançamos. Um gelo e um calor que não podem ser medidos. Quente demais e gelado demais. Nada! Uma sensação de nada e de tudo ao mesmo tempo! Estar morto é pouco, pouco é pouco, muito é muito e nada é demais. Sabem aqueles dias em que a gente nem consegue escrever?

E o que suadamente escrevemos é simples “bobagem” como dizem os brasileiros. Não quer forçosamente transmitir nenhuma ideia nem tão pouco expressar um sentimento concreto. Tentamos escrever porque precisamos gastar tinta e retirar a virgindade a uma alba tela. Não para criar nada mas apenas para não perder a mão e não deixar o pincel endurecer.

Dias como estes em que tudo parece toldado e sem solução podem ser prazerosos e surpreendentes se alguém ousar demonstrar que nos ama. E para isso basta apenas um gesto ou um encostar de ombro e uma carícia no pelo.

Haja engenho e arte e tenhamos a sorte de ter uma tampa para a nossa panela e estes dias simplesmente serão surpresas e expectativas excedidas.

1 comentário:

  1. Anónimo03:14

    Só te posso dizer que te ofereço o meu abraço e o meu colo quando te sentires assim!
    http://youtu.be/e03x8tBu8hA

    T.

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