Escrever sobre relações quando temos uma escrita marcada por estados de espírito nem sempre é imparcial ou interessante. O estado de espírito está para a escrita como as mãos do oleiro estão para o barro que vai moldar.
Se estivermos descontraídos e não atormentados conseguimos dar à nossa escrita uma abrangência maior e transmitir as emoções dos outros, também. Se estivermos martirizados e contraídos a nossa escrita não transmitirá mais do que fragmentos do nosso tormento. Da mesma maneira a peça do oleiro será moldada pela rigidez da enervada mão, ganhando formas menos harmoniosas. Hoje sinto-me um oleiro mais virado para fazer peças quadradas por isso falarei de legos e de relações.
As relações são construções de lego! Na medida em que as relações são feitas de múltiplos e pequenos encaixes. Nem sempre conseguimos o encaixe perfeito para a peça seguinte pelo que temos de ser criativos, persistentes, saber rodar a peça reconhecendo-lhe as suas singularidades e olhar o todo para lhe encontrar o encaixe perfeito. Por vezes esse encaixe não existe no imediato. Teremos de saber esperar e confiar que algures no decorrer da construção essa peça irá encaixar perfeitamente e terá uma importância, que não sendo diferente da importância das outras peças, será vital.
Também nas relações os encaixes nem sempre são perfeitos, sendo por vezes tentados antes do tempo ou no momento menos oportuno. Impera, igualmente, ser criativo para nos colocarmos na posição mais favorável ao encaixe. Exige-se, também, a observação aturada do outro para descobrir as suas singularidades e assim facilitarmos o encaixe. Não têm somenos importância a persistência, a confiança, a tolerância e a fé de que chegará o momento ideal para realizar aquele encaixe. Saibamos também esperar que o outro se coloque na posição ideal para o encaixe sem nunca perder a fé de que ele ocorrerá. Entretanto, haverá, certamente, outros encaixes mais imediatos e necessários para a construção da relação, preparando-a para o tal encaixe que, não tendo sido imediato, ocorrerá um dia.
Tal como nas construções de lego as relações nunca devem ser tidas por concluídas. Existem sempre novos encaixes que podemos e devemos fazer. Aparecem constantemente novas formas que podemos dar à nossa construção, acrescentos, reinvenções ou simplesmente deitar uma parede abaixo para refazer um encaixe que não ficou perfeito e a seguir construir outra parede mais sólida e mais inspirada. Temos de estar certos que, nas relações tal como nas construções de lego, todas as peças tem de encaixar perfeita e seguramente, senão arriscamos basear a nossa construção num encaixe não sólido que, a qualquer momento, poderá faze-la ruir.
Mesmo que o nosso castelo ou torre de lego tenham já uma forma muito aproximada da que imaginamos no inicio, podemos sempre acrescentar novas peças que encaixarão perfeitamente e continuar a construção. A nossa torre de lego pode ser sempre maior e, tal como no conto João e o pé de feijão, crescer até ao céu. Esta é a magia dos legos.
Não sei se o céu será o limite ou o culminar. Sei que nas relações, se nos relaxarmos, porque pensamos já ter atingido o céu, estaremos a caminhar a passos largos para o abismo do inferno. Estou também convicto que o céu não é limite nem a meta para nada.
Adoreiiiiiiiiiiii...Muitos Parabéns a quem elaborou este texto fantástico. Para o Grande Fernando Pessoa...com as pedras que vamos apanhando no nosso caminho vamos construir um lindo e maravilhoso castelo/felicidade. Podemos fazer o mesmo com as peças de lego que vamos adquirindo em todos os segundos/minutos/horas...momentos das nossas vidas. Mais uma vez Parabéns.
ResponderEliminarParece-me que temos aqui um sucessor do Júlio Machado Vaz...
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