segunda-feira, novembro 21

A REGRA DA “PLASTICINIZAÇÃO” DA PERSONALIDADE


«Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. Quando tentamos amar agimos de forma confusa, trocando o amor pela paixão, a paixão pelo desejo e a nossa personalidade por aquela que o outro idealiza em nós. Confusão gera confusão e o universo evoluiu do caos. Se a confusão do amor com a paixão e desta com desejo é caos e, portanto, positiva, pois promete ser o inicio de algo. Na medida em que amar é sem dúvida um batido de desejo, paixão e amor. Na descoberta da quantidade certa de cada ingrediente é que está a ciência. Abanar o shaker é fácil. A confusão da nossa personalidade com aquela que o outro espera de nós é um caos regressivo, cujo desfecho será sempre a explosão, a cobrança e o esmorecimento.
Amar é completar o outro sem fazer concessões basilares a nós. Completar e preencher são distintos. Podemos completar, tornando a nossa personalidade plasticina aquecida e moldando-a exactamente na forma que o outro gosta, mas jamais o estaremos a preencher. Preencher é um acordo tácito, cuja negociação não reconhece à concessão um papel de relevo.

A “plasticinização” da personalidade é terreno fértil para o germinar da cobrança. Essa erva daninha que vai crescendo e apoderando-se da relação, asfixiando, sorrateiramente, as outras plantas que ornamentavam e davam cor ao amor desses dois. Quando o que plasticinou a sua personalidade se apercebe da existência da erva daninha já esta tomou conta dele e o levou a cobrar todo o fertilizante e dedicação que colocou na relação. A harmonia cedeu o lugar à acusação e recriminação. Apouca-se a contribuição do outro e engrandece-se a nossa, desequilibrando a balança da razão e do coração.

Toda a regra tem excepção e neste particular também há lugar à capacidade de nos colocarmos em segundo plano, orientando a nossa actuação, apenas e só, em prol do outro. Não há mal em, perante algumas situações, abdicarmos de nós e cedermos o palco ao outro que a nosso lado caminha. Tal como não há mal em ser bengala quando a “força nas canetas” parece fugir ao nosso(a) companheiro(a), saibam ele ou ela usar a bengala com sabedoria e ter a coragem de aceitar, sem pejo ou estéril prurido, o apoio que ela lhe fornece. Ambos devem sempre ter presentes três conceitos fundamentais: o carácter de excepção, a humildade e a reciprocidade.

Depois de abordar os nocivos efeitos do não respeito da regra e de enquadrar a excepção falta apenas definir a regra:
Dois só conseguem ser uno se cada um for uno per si!

2 comentários:

  1. Pimentão08:16

    Esta é profunda, muitos se devem rever nestas palavras. Concesões há que fazer mas moldar a nossa personalidade para o outro a ponto de nos transformarmos no que não somos só pode dar efectivamente para o torto.
    Um abraço

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  2. sabio afilhado o meu!!!

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