Aplico a velha máxima de Francis Bacon "...Não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar..."
segunda-feira, fevereiro 27
Dar é fácil, receber é simplesmente impossível
Dar é fácil, receber é simplesmente impossível e sempre transformado em complicação. Complicar o simples é, só por si, um dos maiores desígnios da humanidade. Quando se trata de receber o complicometro atinge a sua potência máxima e desata a fabricar disparates, vãos orgulhos, dependências sentidas, débitos de empréstimos inexistentes e um sem fim de outros disparates igualmente com enorme aceitação social.
Todos somos capazes de exercer o aclamado altruísmo mas quando se trata de ser sua cobaia tudo pia mais fino. É como se todos nós tivesse-mos inventado vacinas para a sida mas ninguém estivesse voluntariamente disposto a receber nenhuma delas. Afinal, mais vale morrer de sida que morrer de vergonha de ficar em divida. Claro que esta teoria não se aplica a ilustres personagens como Duarte Lima, Armando Vara, Oliveira e Costa e alguns mais que a minha transmontana educação me impede de citar em tão desinspiradas palavras.
A ironia disto tudo é que só queremos receber aquilo que não nos dão. A ironia das ironias é a intemporalidade e actualidade dos poemas do saudoso António Variações. Percebo agora porque levava uma vida de excessos. Procurava anestesiar a dor causada pela sua, tão sublime e acertada, capacidade de percepção dos comportamentos e da realidade.
Quando nos dão aquilo que queremos ficamos em pânico absoluto. Maior do que se nos passassem um recém-nascido para as mãos. Não fazemos literalmente a porra de ideia nenhuma do que fazer e apenas somos invadidos pelo medo de deixar o bebe cair. Entretanto, não aproveitamos peva da fantástica sensação de aconchegar e acarinhar.
Enfim… somos bichos muito estranhos como diria alguém que conheço.
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