Aplico a velha máxima de Francis Bacon "...Não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar..."
domingo, fevereiro 12
VAMOS AO CIRCO...
No circo sempre me fascina o equilibrista que caminha na fina corda a 7 metros de altura. Uma queda, certamente, o deixará mal tratado pois não se vislumbra, a olho nu, qualquer rede de segurança.
O circo é uma irmandade, um grupo muito coeso de pessoas que se apoiam mutuamente na solidão do nomadismo. E essas pessoas são nada mais que a rede uns dos outros. Na realidade a vida é também um circo. Uma performance que executamos com maior ou menor mestria, para um publico mais ou menos exigente. Não digo que a vida seja uma performance a tempo inteiro mas se quiser ser honesto tenho de aceitar que consagramos 80% do tempo a essa exibição. Nestes 80% do tempo as redes são fundamentais. Nos outros 20% em que nos dedicamos a viver a vida na sua essência sem preocupações artísticas e sem o sentimento de constante avaliação, as redes são ainda mais importantes. Pois é nessa altura que agimos sem resguardo, que avançamos para a corda sem vara e que, fazendo maravilhosos saltos e acrobacias no ar, confiamos a vida na mão do outro. Quando assim vivemos nunca pensamos que pode correr mal, a precaução não existe nem tem de existir. Entregamo-nos e pronto.
Não posso negar a existência, embora remota, da possibilidade de correr mal e de nos espatifarmos. Nessa altura será muito reconfortante ter aqueles, poucos, nómadas que nos acompanham a apoiar e a velar por nós. Importa, muito, que conheçamos, por completo, o significado da palavra reciprocidade e que a pratiquemos sem esperar qualquer dividendo. Façamo-lo com poucos e quando o fizermos que seja inteiro e sem esperar nada em troca.
Quem vive sem se preocupar em construir redes é parvo. Quem vive obcecado por elas não vive realmente e é medricas.
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