Aplico a velha máxima de Francis Bacon "...Não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar..."
domingo, fevereiro 5
DIZ UMA VAGINA PARA OUTRA….
O amor é simples, a felicidade não pede licença para entrar, nem tão pouco avisa da sua visita. Quando damos conta da sua existência já nos habita e habita connosco há largo tempo. É discreta e silenciosa, sabe invadir sem fazer reféns, instala-se no cantinho mais escondido da sala. É mestre do disfarce. Vivemo-la tempos infinitos sem nos darmos conta da sua existência. Até que um dia enxergamo-la numa simples anedota de vaginas.
“ Diz uma vagina para outra.
- Ouve lá, dizem por ai que és frígida!
- Não ligues, são apenas as más-línguas! Retorque a outra.”
E nós rimos, sorrimos em serenidade e sentimos o riso invadir-nos, deixando uma opiácea sensação de bem-estar. Entre a anedota e o sorriso várias vezes repetido o universo apresentasse-nos simples e sem segredos. Tudo compreendemos sem nada querer entender. Contemplamos apenas, e ficamos felizes apenas por sabermos exactamente o que observar. Falar em momento perfeito seria um cliché redutor e esvaziado de sentido. Até porque não há momentos perfeitos, há rendições incondicionais nas quais a palavra derrota não encontra encaixe nem sentido. São rendições a nós mesmos, submissões à honestidade que sempre norteia o coração. Assim, prefiro descrever o momento como a certeza de que o mundo lá fora ficará em suspenso à nossa espera sem que tenhamos pressa ou vontade de voltar para ele. E, sobretudo, sem que nos importemos se espera ou não por nós porque tudo o que nos é caro está ali mesmo entre a anedota e os sorrisos.
Não me orgulho da qualidade literária ou substancial do que aqui escrevo, orgulho-me apenas de assumir tê-lo escrito sem expectativas ou receios. Orgulho-me da anti-estratégia que ele em si encerra.
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